Claro que o poeta fala melhor do que ninguém, e acertou em cheio quando disse que Deus deveria esquecer-se de levar as mães embora, que é um mistério que Ele as leve. Como é ruim uma casa sem uma mãe.
Fica inteira vazia, mesmo que seja só um barraco e tudo fica diferente: as cores, os sons, os cheiros e as texturas. Do toque da campainha ao gosto do arroz, nada fica igual sem minha mãe em casa. Os animais ficam tristes, sem apetite e com olhar de choro. Tudo fica ruim.
Quando ela liga também é ruim. Está muito longe, a voz é abafada. Imaginar a vida sem ela é tão ruim que não dá pra escrever.
Uma mulher que deixaria de realizar seus sonhos para que eu realizasse os meus e choraria de alegria quando isso acontecesse. Que não esboça tristeza em não ser astronauta, policial, bombeiro, jogadora de basquete, ginasta, motorista de caminhão e tantas outras profissões que fala que gostaria de ser se fosse jovem. Uma mulher que me ensinou a respeitar as formas de vida indefesas e a cuidar delas. Que não consegue dormir se não arrumar um lugar quente e comida para o cachorro que passou na rua, com frio e com fome.
Que me espera chegar em casa, do lado de fora, roendo as unhas e com os amigos animais sentados ao seu lado. Uma mulher que prepara um remédio santo no meio da madrugada e leva pra mim na cama, quando estou tossindo. Que ri até se contorcer assistindo desenho animado e chora quando se lembra daquelas pessoas que morreram cinqüenta anos atrás, pessoas que nem conhecia direito.
Uma mulher que não faz a mínima questão do luxo supérfluo e até se incomoda com ele. Que criou quatro filhas praticamente sozinha, amando e odiando um marido alcoólatra e ausente, queixando-se sozinha quando chorava escondida.
Que nunca disse às filhas que casamento era sinônimo de felicidade, mesmo os mais aparentemente perfeitos. Nunca fantasiou suas cabeças com histórias fantásticas e mentirosas, deixando-as sempre em contato com a realidade difícil que é a vida. Que, diferente de tantas outras mães, não ensinou que mulher tem que ser submissa e fazer tudo o que seu marido queira, em hipótese alguma.
Uma mulher que fala de seu pai, meu santo avô, com carinho ímpar. Que conta as histórias dele com os olhos marejados e me faz amá-lo sem eu nunca tê-lo visto. Que é minha referência de bondade, amor, santidade, beleza, carinho, de tudo, tudo o que seja bom nesta e em outras vidas.
Alguém tão espetacularmente perfeita que não se conforma em ver as filhas chorando e simplesmente chora junto. Que envelheceu e sofreu comigo quando tive depressão. Que me amou quando eu ainda nem era nada, apenas um feto em seu ventre. Cuidou de mim quando eu nada podia fazer por mim mesma e continua fazendo isso até hoje. E fará para sempre, enquanto viver, sem saber que é minha base, meu porto seguro, que é tudo pra mim, a minha própria vida.
Fica inteira vazia, mesmo que seja só um barraco e tudo fica diferente: as cores, os sons, os cheiros e as texturas. Do toque da campainha ao gosto do arroz, nada fica igual sem minha mãe em casa. Os animais ficam tristes, sem apetite e com olhar de choro. Tudo fica ruim.
Quando ela liga também é ruim. Está muito longe, a voz é abafada. Imaginar a vida sem ela é tão ruim que não dá pra escrever.
Uma mulher que deixaria de realizar seus sonhos para que eu realizasse os meus e choraria de alegria quando isso acontecesse. Que não esboça tristeza em não ser astronauta, policial, bombeiro, jogadora de basquete, ginasta, motorista de caminhão e tantas outras profissões que fala que gostaria de ser se fosse jovem. Uma mulher que me ensinou a respeitar as formas de vida indefesas e a cuidar delas. Que não consegue dormir se não arrumar um lugar quente e comida para o cachorro que passou na rua, com frio e com fome.
Que me espera chegar em casa, do lado de fora, roendo as unhas e com os amigos animais sentados ao seu lado. Uma mulher que prepara um remédio santo no meio da madrugada e leva pra mim na cama, quando estou tossindo. Que ri até se contorcer assistindo desenho animado e chora quando se lembra daquelas pessoas que morreram cinqüenta anos atrás, pessoas que nem conhecia direito.
Uma mulher que não faz a mínima questão do luxo supérfluo e até se incomoda com ele. Que criou quatro filhas praticamente sozinha, amando e odiando um marido alcoólatra e ausente, queixando-se sozinha quando chorava escondida.
Que nunca disse às filhas que casamento era sinônimo de felicidade, mesmo os mais aparentemente perfeitos. Nunca fantasiou suas cabeças com histórias fantásticas e mentirosas, deixando-as sempre em contato com a realidade difícil que é a vida. Que, diferente de tantas outras mães, não ensinou que mulher tem que ser submissa e fazer tudo o que seu marido queira, em hipótese alguma.
Uma mulher que fala de seu pai, meu santo avô, com carinho ímpar. Que conta as histórias dele com os olhos marejados e me faz amá-lo sem eu nunca tê-lo visto. Que é minha referência de bondade, amor, santidade, beleza, carinho, de tudo, tudo o que seja bom nesta e em outras vidas.
Alguém tão espetacularmente perfeita que não se conforma em ver as filhas chorando e simplesmente chora junto. Que envelheceu e sofreu comigo quando tive depressão. Que me amou quando eu ainda nem era nada, apenas um feto em seu ventre. Cuidou de mim quando eu nada podia fazer por mim mesma e continua fazendo isso até hoje. E fará para sempre, enquanto viver, sem saber que é minha base, meu porto seguro, que é tudo pra mim, a minha própria vida.

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