
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Jacques Brel

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A criatura mais perfeita
Coisinhas bonitinhas
Quem disse, afinal, que conselhos são ruins? Que se fossem bons seriam vendidos, e não dados? Quando falo que não sou normal é verdade, pois gosto do que não se deve gostar. Gosto de receber conselhos, de passar roupa, de ler no ônibus.
O conselho dado foi de que eu maneire nos meus textos, pois estão azedos e muito críticos. Concordo! Claro que estão. É que ainda não vi um meio de falar bem da superlotação nos orfanatos, asilos, centros de zoonose. Não descobri como falar bem do que é mal... sacou?
Mas concordo que existem maravilhas a serem ditas, desde que não englobem a banda podre que todo mundo já conhece. O amorzinho disse que quem ler meus textos vai pensar “porra, caralho, mas essa mulher não gosta de nada??”. Aí me senti meio Raul Seixas, “ah, mas que sujeito chato sou eu”, só não posso concordar com “não acho nada engraçado”, já que quase tudo me faz rir.
Vejo beleza, por exemplo, no meu ipê. Também, quem não achar aquela árvore uma coisa de louco está ruim das idéias. Ele fica completamente seco e em meados de agosto começam a desabrochar as flores amarelas. Da noite para o dia explodem todas, e a rua ganha uma luz que dura uma semana. As pessoas param pra olhar, tiram fotos, pegam flores. Ele está ali, de graça e maravilhoso.
Acho deliciosas as bochechas de um nenê e o sorriso também, como eles arregalam os olhos quando mando um beijo estalado. Dá vontade de cheirar e morder um bebê que olha concentrado um pedaço de papel ou um pente.
ADORO A PROFISSÃO QUE ESCOLHI! Foi uma das poucas escolhas certas que fiz na vida e nunca pensei em desistir, mesmo quando o desânimo e o cansaço tentavam me esganar. O jornalismo me ofereceu horizontes, não me deixa alienar, ora pois, como ser alienada com tanta informação, com tantos professores bons? Levar informação, transformar o que está cru em algo entendível é maravilhoso. Uma satisfação que só os alienígenas como eu sabem o sabor, afinal, exceto as múmias televisivas e os cus de ferro com costas quentes, jornalista não fica rico trabalhando honestamente.
Gostei do conselho. Prometo me esforçar mais pra escrever coisas agradáveis aos olhos. Mas é preciso que elas aconteçam, né... e aconteçam de forma redonda, afinal, não adianta falar do encanto que são os ursos panda se eles são originários daquele país lazarento que é a China.
Meu filho de 16 anos
Tanto que eu rezo quando acordo...
Talvez eu leve a sério demais a sugestão do Mestre em não saber a mão direita o que faz a esquerda, por isso me sinta tão mal em ouvir o que dizem sobre si mesmos, principalmente quando começam a se gabar de merda nenhuma.
Por absurdo e incrível que pareça, tem gente que faz questão de contar o salário que ganha ou o posto que acabou de ocupar. Ah, então agora você cuida da parte de supervisão dos funcionários? Que ótimo, mas não perguntei nada... aliás, o que acontece na vida dessas pessoas medíocres não me importa em nada, nada mesmo.
Procuro ficar na minha, justamente pra não incomodar ninguém, mas do oposto vem a questão em ser chato, desagradável e inconveniente. Qualquer coisa que seja dita a eles já é gancho pra começar a falar de si mesmo. “Nossa, você está abatido, anda dormindo pouco?” Pronto. Pra quê caralhos fui abrir a boca? A resposta dessa pessoa veio assim: “É, ultimamente acordo muito cedo e saio muito tarde do trabalho. Mas não paro com esta vida não, ontem mesmo caíram quatro ‘paus’ na minha conta”. É difícil ter que engolir a língua pra não soltar um sonoro “enfia no c...”.
Dias atrás foi outra pessoa, sobre o novo emprego. Na área de estudo, horário bom, serviço bom, tudo bom. Graças a Deus, né. A idiota aqui vai parabenizar dizendo que é um grande passo, e o idiota lá responde que não foi um grande passo, foi um salto, afinal o Rebimboca da Parafuseta é o maior Hotel da América Latina.
Que legal.
Melhor ficar quieta e passar por imbecil do que falar para terem certeza disso...
Casa do Migrante
Lá existe a paz, a mesma que está no coração de quem quer a paz.
Lá é a Casa do Migrante.
Irmãos pombos
Talvez sejam como as protitutas: se cobram por algo teoricamente tão prazeroso, é porque há quem pague. Se há pombos em todos os cantos da cidade, quase a mesma quantidade que pessoas, é porque essa raça inteligente os alimenta, de uma forma ou de outra. Principalmente com lixo, restos, migalhas.
Fico triste quando vejo um pombo esmagado na rua, vítima de algum motorista que, na maioria das vezes, não imagina que aquele ser alado tenha exatamente os mesmos órgãos que ele. A diferença, e que grande diferença, é que ele vôa... ele estava ali na rua, bicando o chão, para sobreviver, assim como a raça inteligente faz ao levantar e ir pro trabalho, voltar pra casa, ir pro trabalho, voltar pra casa e seguir essa rotina alienante, quase tanto quanto andar bicando o chão a vida inteira. Tudo são migalhas.
Não condenem os pombos. Eles são vítimas da nossa porcaria.
O Apanhador no Campo de Centeio
A narrativa parece muito um diário e o personagem, alguém que nunca viu graça na mesmice e já está de saco cheio dela. Não tem como não gostar daquele menino. Está de saco cheio da hipocrisia, da falsa modéstia, da repetição das coisas e, principalmente, do fator gerador de tudo isso: as pessoas.
Holden, assim como eu, não consegue ver graça nas desgraças. Como hoje, por exemplo... malfadadamente peguei o mesmo ônibus que uma conhecida, que não se tocou que eu queria continuar lendo o tal livro. Ela foi o caminho todo falando, falando, falando... em determinada subida, vi (logo na segunda-feira, que é pra começar a semana sem nada de coração) um cachorrinho, filhote, morto atropelado, no meio da avenida. Provavelmente acabara de acontecer, pois o sangue inocente ainda escorria. Coloquei as duas mãos nos olhos e comecei a chorar, no que a infeliz me pergunta, rindo: "O que é que foi, Raquel?".
Aquele cramunhão sabe o quanto sou doente por animais e viu a mesma cena que eu. Qual a parte da história onde um filhote é morto atropelado que é engraçada? Desculpem, mas ainda não encontrei graça nisso. Como, pela graça do Divino Mestre, alguém pode rir de algo tão bruto? Tão triste aos olhos e ao coração?
A cretinice sem limites de algumas pessoas irrita ao tal Holden tanto quanto a mim. Os assuntos toscos, comentários infundados, "contação" de vantagens idiotas... amigos... só lendo mesmo... leiam esse livro, vale a pena. Mas não pensem que Holden é doido...
A censura não seria tão ruim...
Principalmente no Brasil, deveria ser proibida a venda de eletroportáteis sem antes realizar uma avaliação psicológica no cliente. "Qual a principal finalidade do senhor em comprar este celular? Fazer ligações? Acessar a internet? Assistir televisão? Jogar? OUVIR MÚSICA?
São Paulo está virando, aos poucos, terra de ninguém. É, na teoria, "proibido o uso de aparelhos sonoros" nos ônibus, mas há quem ache bonito ligar o celular e ficar ouvindo as músicas mais ridículas sem usar o fone de ouvido. E o pior são as caras desse povinho desgraçado.
Embora não seja nem um pouco fã de rap, preciso concordar com o Mano Brown que "zé povinho é o cão". Tipinhos escrotos, figuras porcas... que pensam que estão em Las Vegas (os que sabem que esse lugar existe) ou num desfile dos horrores e fazem as combinações mais boçais de estilos, maquiagens, acessórios. E acham que estão realmente abafando. Aí tiram o celular da bolsa, mochila e começa o inferno de alguns.
Não é mania de perseguição, juro por Deus, mas parece que fazem questão de ouvir, EM VOLUME ALTO, as músicas mais nojentas do mundo, a maioria de uns pagodinhos "ai, ai, ai, ai, ai, ê, ê, ê, ê". QUE NOOOOOJO. Ou, então, sertanejos, funk, black... que fosse Mozart ou minha idolatrada Legião Urbana: os gostos musicais variam, GRAÇAS A DEUS e foi inventado o fone de ouvido com essa finalidade, a de não incoodar os filhos da puta que estão ao lado.
Por isso, jecas que hão de deixar frutos que incomodarão as gerações futura (pois é um ciclo): coloquem o fonezinho na orelhinha quando forem ouvir as musiquinhas cafoninhas que vocês acham que são boas.
Natal, Ano Novo e aniversário.
O fato é que estou muito cansada, mas não só o físico. Acho que o psicológico cansado é muito mais complicado de tratar. Sei bem o que quero e sei que nada vai cair do céu pra mim, afinal, não nasci em família rica. O esgotamento faz parte da busca de um sonho... mas até mesmo saber disso já me cansa.
Minha intolerância tão evidente está cada dia mais acentuada e cada vez mais pratico o que chamo de "egoísmo saudável". Não tenho mais a boa vontade de antes e isso me faz bem... descobri que não vale a pena ajudar ou tentar ajudar alguém. Pessoas não valem a pena... venderia a roupa do corpo por minha mãe, meu pai, minhas irmãs, meu namorado e mais cinco parentes (que sabem exatamente quem são, ok, Tia Eva?) e só.
Neste planeta de mais de seis bilhões de pessoas, minha frustração com o ser humano me cegou (ou terá me aberto os olhos?) quanto à benevolência sagrada de Chico Xavier, Jesus Cristo, Francisco de Assis. Exceto as pessoas acima, não tem como, não dá mesmo. Não encorajo ninguém a pular do 20º andar, mas se estiver lá, também não peço pra descer pelas escadas.
Cansei.
Bonitonas e famosas
Claro que não me pareço com todas, seria muita sorte; mas a descendência paraibana já me rendeu alguns "você tem alguma coisa da fulana, beltrana". É realmente muito bom!
De todas, porém, a que mais me agrada ter alguma distante semelhança é a tal da Teri Hatcher, principalmente se eu pensar que ela é a personagem Lois Lane, e não uma sex simbol cobiçada. Lois é jornalista, trabalha num grande veículo e de quebra ainda é amada por um super-herói... está sempre caindo de algum prédio, berrando e sendo salva da morte certa por esse herói abobalhado. Carrega no olhar uma melancolia, quase uma tristeza, ninguém sabe porquê... é simples e não chama a atenção. Tem em si a discreta carência própria de quem precisa de pelo menos um abraço carinhoso por dia, de um beijo apaixonado.
A Lois é tudo de bom.
Meu homem...
Me dá tudo isso, logo, pra que a vida fique melhor...
Aniversário
Adoro a idéia de fazer aniversário junto com ele: o Rei, lindo, inovador, porra-louca. Janeiro é, definitivamente, um bom mês pra se nascer, ainda mais no dia 08, como nascemos ele e eu. UHÚ!
Fazer aniversário, porém, me deixa um pouco mais melancólica e à flor da pele do que o normal. São 26 anos. O que eu fiz até agora? Quase nada, dá até para listar:
- fiz questão de preservar as amizades verdadeiras e me recusei a permitir gente burra na minha vida, ocupando lugares importantes. Isso realmente me fez bem.
- engoli sentimentos e dores. Não me fez bem. Mas aprendi. Percebi que engolir sapos e situações pode ser assinar o atestado de tristeza por muito tempo... travar uma guerra dentro de si, por causa de outros, é a pior idiotice que alguém pode fazer e isso eu também descobri.
- entendi que o que é meu vai ficar comigo, irá comigo e será sempre meu, não importa o que aconteça. E que correr atrás de algo, sem fôlego, quase caindo de fraqueza e à beira do desespero não vai dar em nada se aquilo só era pra ser meu por pouco tempo, por um ano que fosse. O que é meu sabe que é meu e sabe também que sou dele.
- li muito, escrevi também. Chorei feito bezerro sem mãe por uma infinidade de coisas, desde as mais tontas às mais grotescas. Principalmente com músicas e suas traduções... com imagens, com mensagens.
- aprendi que nem sempre vale a pena amar. Que é mentira aquele altruísmo barato de "amar o próximo como a ti mesmo". As vezes, na verdade quase sempre, a melhor coisa é esquecer, fazer de conta que nunca conheceu nem aconteceu. Ignorar e seguir adiante. Aprendi que amar é perigoso e dolorido na maioria das vezes. Que é mais fácil amar e sofrer do que amar e ser amada. Essa é a parte mais difícil: encontrar alguém que sinta exatamente a mesma coisa.
- errei, muito, muitas vezes e de várias maneiras. Mas aprendi com TODOS os meus erros. E aprendi também que é burrice cometer o mesmo erro mais de duas vezes. A vida oferece uma porção de oportunidades diferentes pra se errar, é burrice insistir num erro só.
- magoei muita gente, amigos e família. Mas me orgulho em ter pedido perdão todas as vezes e de ter o mínimo de raciocínio pra não fazer de novo. Me magoaram muito. Mas, mesmo percebendo, raras foram as vezes em que ouvi "desculpe".
- ouvi milhares de trocadilhos, frases engraçadas, mas as favoritas são "a Raquel é má e a Ruthinha é boazinha" e "Rachel de Queiróz ou Raquel Wech?".
- me apaixonei várias vezes e aprendi que amar demais é doença, e grave. As paixões nunca foram iguais. Pelo que percebi, não serão nunca.
Nesse primeiros 26 anos, de tudo, não sei ainda o que foi que realmente valeu a pena. Demonstrar o amor, talvez. Deixa algumas pessoas consternadas... quero me consternar logo.
Jade Barbosa faz tratamento médico em troca de camisetas
O mesmo não aconteceu com Ronaldinho, claro que não. Com os dois joelhos lascados e fodidos, segue o craque num dos maiores clubes do país (em relação ao tamanho, pelo amor de Deus, o Corinthians não me apetece em nada).
Diferente do técnico de Jade Barbosa, Emerson Leão (também do futebol, vejam quanta coincidência) sempre é o desempregado mais feliz do mundo, e não só ele. Rescisões de contrato milionárias garantem a estabilidade de três ou quatro gerações posteriores quando se trata de futebol.
No Estadão de 13/01/2009 tive a "felicidade" de ler que "os dois melhores do mundo falam português". Onde o profissionalismo de Cristiano Ronaldo é melhor que o de Jade, Diego Hypolito, Dayane dos Santos? O que os diferencia? Porque a discrepância?
A ginasta atua pelo Flamengo e em entrevista disse que a lesão no punho está em tratamento graças à boa vontade das pessoas. "Na farmácia os funcionários pedem camiseta em troca de remédio, é assim que estou me tratando".
A Confederação Brasileira de Ginástica não tem MESMO dinheiro para pagar os atletas? É bem possível que não... Jade não em dinheiro para comprar remédios, isso não é justo. Também não é justo que Cristiano Ronaldo destrua uma Ferrari de mais de R$ 750.000,00 e possa comprar outra na semana seguinte, caso queira. Definitivamente, não é justo.
Jade, Daniele, Dayane, Diego... caso algum de vocês esteja lendo este blog (e me proporcionando essa honra), sou muito fã de vocês. Sou fã força de vontade sem tamanho, quase incondicional. Da maravilha que vocês fazem com seus corpos; sou fã dos movimentos, cada um deles. Fã desse brilho que existe nos olhos de vocês. Numa próxima encarnação tenho certeza que serei ginasta. Nesta, não deu.
Obrigada por serem parte da mirrada parcela de brasileiros que me dão orgulho em ter nascido aqui.
