Quem disse, afinal, que conselhos são ruins? Que se fossem bons seriam vendidos, e não dados? Quando falo que não sou normal é verdade, pois gosto do que não se deve gostar. Gosto de receber conselhos, de passar roupa, de ler no ônibus.
O conselho dado foi de que eu maneire nos meus textos, pois estão azedos e muito críticos. Concordo! Claro que estão. É que ainda não vi um meio de falar bem da superlotação nos orfanatos, asilos, centros de zoonose. Não descobri como falar bem do que é mal... sacou?
Mas concordo que existem maravilhas a serem ditas, desde que não englobem a banda podre que todo mundo já conhece. O amorzinho disse que quem ler meus textos vai pensar “porra, caralho, mas essa mulher não gosta de nada??”. Aí me senti meio Raul Seixas, “ah, mas que sujeito chato sou eu”, só não posso concordar com “não acho nada engraçado”, já que quase tudo me faz rir.
Vejo beleza, por exemplo, no meu ipê. Também, quem não achar aquela árvore uma coisa de louco está ruim das idéias. Ele fica completamente seco e em meados de agosto começam a desabrochar as flores amarelas. Da noite para o dia explodem todas, e a rua ganha uma luz que dura uma semana. As pessoas param pra olhar, tiram fotos, pegam flores. Ele está ali, de graça e maravilhoso.
Acho deliciosas as bochechas de um nenê e o sorriso também, como eles arregalam os olhos quando mando um beijo estalado. Dá vontade de cheirar e morder um bebê que olha concentrado um pedaço de papel ou um pente.
ADORO A PROFISSÃO QUE ESCOLHI! Foi uma das poucas escolhas certas que fiz na vida e nunca pensei em desistir, mesmo quando o desânimo e o cansaço tentavam me esganar. O jornalismo me ofereceu horizontes, não me deixa alienar, ora pois, como ser alienada com tanta informação, com tantos professores bons? Levar informação, transformar o que está cru em algo entendível é maravilhoso. Uma satisfação que só os alienígenas como eu sabem o sabor, afinal, exceto as múmias televisivas e os cus de ferro com costas quentes, jornalista não fica rico trabalhando honestamente.
Gostei do conselho. Prometo me esforçar mais pra escrever coisas agradáveis aos olhos. Mas é preciso que elas aconteçam, né... e aconteçam de forma redonda, afinal, não adianta falar do encanto que são os ursos panda se eles são originários daquele país lazarento que é a China.

Nenhum comentário:
Postar um comentário