Acredito que todo revoltado que lê "O Apanhador no Campo de Centeio", de J. D. Salinger, se identifica com o maluco adolescente Holden Caulfield. Eu me identifiquei e bastante.
A narrativa parece muito um diário e o personagem, alguém que nunca viu graça na mesmice e já está de saco cheio dela. Não tem como não gostar daquele menino. Está de saco cheio da hipocrisia, da falsa modéstia, da repetição das coisas e, principalmente, do fator gerador de tudo isso: as pessoas.
Holden, assim como eu, não consegue ver graça nas desgraças. Como hoje, por exemplo... malfadadamente peguei o mesmo ônibus que uma conhecida, que não se tocou que eu queria continuar lendo o tal livro. Ela foi o caminho todo falando, falando, falando... em determinada subida, vi (logo na segunda-feira, que é pra começar a semana sem nada de coração) um cachorrinho, filhote, morto atropelado, no meio da avenida. Provavelmente acabara de acontecer, pois o sangue inocente ainda escorria. Coloquei as duas mãos nos olhos e comecei a chorar, no que a infeliz me pergunta, rindo: "O que é que foi, Raquel?".
Aquele cramunhão sabe o quanto sou doente por animais e viu a mesma cena que eu. Qual a parte da história onde um filhote é morto atropelado que é engraçada? Desculpem, mas ainda não encontrei graça nisso. Como, pela graça do Divino Mestre, alguém pode rir de algo tão bruto? Tão triste aos olhos e ao coração?
A cretinice sem limites de algumas pessoas irrita ao tal Holden tanto quanto a mim. Os assuntos toscos, comentários infundados, "contação" de vantagens idiotas... amigos... só lendo mesmo... leiam esse livro, vale a pena. Mas não pensem que Holden é doido...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
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