terça-feira, 28 de julho de 2009
Pudinho.
Na Rua Portuguesa uma cachorra deu cria, vários filhotes. Uns morreram, outros foram levados por quem gosta ou sentiu muita pena em vê-los abandonados, numa cabana improvisada feita por minha irmã, um amigo nosso e eu. Restou um, de quem a mãe não sai de perto e late alto e forte pra quem se aproxime. Menos pra mim, impressionante... por que será...?
Hoje coloquei comida pra ela. Quando viu o saco de ração nas minhas mãos, enfiou o rabo entre as pernas e veio se rastejando, balançando só a pontinha do rabo. Até sorrindo estava. Fiquei com ela enquanto comia. Terminou, voltou para baixo da cabana. Levantei para ir embora, seguir meu caminho rumo ao trabalho. E me apareceu o poodle.
Preto, com pedaços de pêlo iguais aos cabelos de Bob Marley. Abandonado por alguém que achou que seria um brinquedo para 10 minutos. Mas ele cresceu e precisou de cuidados básicos, como vacinas, remédios para ouvido, banho. E isso é exigir demais de determinadas pessoas. Por isso foi para a rua, para o frio e para a solidão.
Estava alguns passos atrás de mim, olhando a amiga de rua comer. E quando o vi, aí sim meu coração se fez em cem mil pedaços. Olhou dentro dos meus olhos e repetiu o gesto da outra: enfiou o rabo entre as pernas, balançando só a pontinha, só faltando falar: “me dá um pouco dessa ração”. Abri a bolsa e peguei mais, coloquei num canto pra ele. Comeu sem parar de balançar o rabo.
Eles não pedem nada que não possa ser oferecido sem esforço. Pedem atenção, não muita, só o suficiente para algumas horas de afago na cabeça. Comida, mesmo que não seja boa, só pra encher o estômago. Amor. Pedem amor, infinitamente menos do que eles oferecem incondicionalmente. Ninguém na face da Terra conseguirá, nunca, oferecer metade do amor de um animal de estimação.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A Lenda.

Acredito que você já possa ver os comentários a respeito de sua partida. Alguns tristes, outros inteligentes e ainda outros inteiramente dispensáveis. Esses últimos principalmente de gente que não aprendeu nem nunca vai aprender a lidar ou conviver com o que é diferente.
O cenário e o brilho da música viva acabou pra mim e pra milhões de fãs seus. Terrível. Não era pra ter sido assim, você não podia, sinceramente. Não tinha o direito. Foi injusto, mas se formos pensar em querer justiça, escolhemos todas as profissões erradas... a espécie errada.
Peço que desconsidere essas opiniões inúteis de gente invejosa. A diferença que você faz no meio artístico, musical e humano realmente incomoda alguns vermes inúteis. O que é diferente normalmente incomoda: deficientes físicos, obesos, albinos, pessoas com manchas, cegos, carecas devido ao câncer. O que não segue o padrão Gisele Bündchen é feio e esquisito.
Parando para raciocinar, porém, dá até pra entender o desaforo e despeito de quem não tem nada na vida. Deve ser difícil aceitar que um astro possa fazer tudo o que quiser com sua cara e seu corpo; que ele tem dinheiro o suficiente pra fazer o que quiser com sua vida, inclusive construir um rancho invejado por todo mundo. Invejável o poder de um negro que nasceu pobre e com o passar dos anos ficou tão rico que conseguiu fazer tudo o que queria. E daí se quis mudar de cor, se essa for realmente a verdade? Que diferença isso faz pra este mundo de merda em que a escravidão é o ranço eterno de milhões de negros, pardos, índios, brancos, amarelos que se fazem de vítimas da sociedade Lobo Mau e cruel?
De qualquer maneira, o lugar reservado pra você é incomparavelmente melhor do que o espaço em que vivemos hoje. Os que aguardavam sua chegada comemoram, alegres e satisfeitos. Sua imortalidade seguirá nesse que é apenas mais um coração de tanta gente que vai sentir sua falta pra sempre. Sigo miseravelmente triste, como se alguém realmente próximo, de dentro de casa, tivesse ido embora, sem direito nenhum.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Meu luto por quem não conheço
terça-feira, 26 de maio de 2009
Rindo litros
- estudantes do último ano de uma graduação qualquer que não sabem escrever direito e trocam letras como "ruin" e "infelismente"
- pessoas que extravasam raivinhas infundadas em textos errados, pobres, parcos ou com mudez e cara feia (ISSO ME FAZ RIR LITROS!)
- gente que não lê, não se esforça, não muda o que está ruim nem faz questão de aprender o que está na cara, gratuitamente e com quem ensine
- gente que passa pela vida e nada deixa de interessante. Nem mesmo a memória de que um dia existiu
Isso, antes, me incomodava. Depois passei a ver que certas coisas não valem a pena e mesmo as que valem, um dia deixam de valer. Agora, sabendo dessa nova expressão, só posso é rir litros de situações assim! Rir litros de quem deixa a vida levar ao invés de levar a vida!
Riam sempre! Riam litros!
Feliz
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Música e bom senso.
Deixar o porta-mals de um carro aberto, com um som berrante e insuportável, numa altura suficiente para incomodar até o diabo é coisa de gente sem educação, óbvio. Tão malditos quanto esses são os que, em transporte coletivo, ligam o celular em músicas lazarentas, pra todos ouvirem, sem um mínimo de respeito. São aleijados para colocar um fone e infringem a Lei Municipal (São Paulo) 6.681/65 - sim, desde 1965, em que é proibido o uso de aparelhos sonoros.
Talvez poucos percebam: eu, atenta de plantão, perceptiva de carteirinha e, acima de tudo, dotada de extremo bom senso (graças a Deus), percebo que esses infelizes sem educação não fazem parte dos que ouvem rock, ópera e MPB. Aos 26 anos nunca passei nervoso com um rockeiro dentro de um ônibus, por exemplo. Eles não têm atitudes para serem discriminados. SIM! Tenho preconceito com gente mal educada!!!! E gente que fz barulho em público nosrmalmente escuta pagode, funk e alguns forrós nojentos de letras com duplo sentido.
Quem disse a eles, os sem educação, que suas opções musicais são relevantes? Sem elas o planeta continua girando, por que, então, eles não tomam a atitude de colocar um fone e serem menos ridículos?
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Saudosismo
Todos continuam lindos, com excessão de Jordan, que seguiu maravilhoso. Nos clipes antigos dançavam feito maníacos, pulando mais do que qualquer coisa, mas assim mesmo eram lindos e cativantes. Sorriam o tempo todo, faziam movimentos sensuais com as mãos no pescoço e algumas meninas desmaiavam de amores por isso (literalmente falando).
Um programa chamado Clip Trip listava os 10 clipes mais pedidos da semana e eis que um dia, na décima posição, aparecem os cinco meninos mais lindos do mundo, cantando e dançando "Step by Step", com cabelos impecáveis, sorrisos de lua e matando de amores 90% do público feminino. No dia seguinte já estavam em primeiro lugar nos mais pedidos e em menos de dois meses as segundas-feiras eram especiais para os clipes deles.
Peguei-me assistindo vários clipes, lembrando de quando Jordan cantava "Baby, I belive in you" ao vivo e com a camisa aberta, minhas irmãs e eu gritávamos tanto e tão alto que a vizinha do outro lado da rua ouvia e deduzia "elas estão assistindo aos New Kids". Lembrei de uma pasta abarrotada, estourando de tantos pôsteres que tínhamos e que uns dois anos atrás minha mãe fez o favor de sumir com ela...
Minha infância foi a pior época da minha vida - espero que não venham outras. New Kids on the Block fez parte dessa época e junto com minha grande amiga Márcia amenizavam a realidade triste de todos os dias, quando meu pai chegava em casa, sempre bêbado, a noite. Gosto deles até hoje e não consigo achar que os clipes e álbum atuais são ruins, não são! SÃO ÓTIMOS!
Sou saudosita aos 26 anos... como serei aos 60?
quinta-feira, 26 de março de 2009
Tio Zé Boboi
sexta-feira, 13 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Soraia Herrador
Soraia Herrador.
Minha santa mãe
Fica inteira vazia, mesmo que seja só um barraco e tudo fica diferente: as cores, os sons, os cheiros e as texturas. Do toque da campainha ao gosto do arroz, nada fica igual sem minha mãe em casa. Os animais ficam tristes, sem apetite e com olhar de choro. Tudo fica ruim.
Quando ela liga também é ruim. Está muito longe, a voz é abafada. Imaginar a vida sem ela é tão ruim que não dá pra escrever.
Uma mulher que deixaria de realizar seus sonhos para que eu realizasse os meus e choraria de alegria quando isso acontecesse. Que não esboça tristeza em não ser astronauta, policial, bombeiro, jogadora de basquete, ginasta, motorista de caminhão e tantas outras profissões que fala que gostaria de ser se fosse jovem. Uma mulher que me ensinou a respeitar as formas de vida indefesas e a cuidar delas. Que não consegue dormir se não arrumar um lugar quente e comida para o cachorro que passou na rua, com frio e com fome.
Que me espera chegar em casa, do lado de fora, roendo as unhas e com os amigos animais sentados ao seu lado. Uma mulher que prepara um remédio santo no meio da madrugada e leva pra mim na cama, quando estou tossindo. Que ri até se contorcer assistindo desenho animado e chora quando se lembra daquelas pessoas que morreram cinqüenta anos atrás, pessoas que nem conhecia direito.
Uma mulher que não faz a mínima questão do luxo supérfluo e até se incomoda com ele. Que criou quatro filhas praticamente sozinha, amando e odiando um marido alcoólatra e ausente, queixando-se sozinha quando chorava escondida.
Que nunca disse às filhas que casamento era sinônimo de felicidade, mesmo os mais aparentemente perfeitos. Nunca fantasiou suas cabeças com histórias fantásticas e mentirosas, deixando-as sempre em contato com a realidade difícil que é a vida. Que, diferente de tantas outras mães, não ensinou que mulher tem que ser submissa e fazer tudo o que seu marido queira, em hipótese alguma.
Uma mulher que fala de seu pai, meu santo avô, com carinho ímpar. Que conta as histórias dele com os olhos marejados e me faz amá-lo sem eu nunca tê-lo visto. Que é minha referência de bondade, amor, santidade, beleza, carinho, de tudo, tudo o que seja bom nesta e em outras vidas.
Alguém tão espetacularmente perfeita que não se conforma em ver as filhas chorando e simplesmente chora junto. Que envelheceu e sofreu comigo quando tive depressão. Que me amou quando eu ainda nem era nada, apenas um feto em seu ventre. Cuidou de mim quando eu nada podia fazer por mim mesma e continua fazendo isso até hoje. E fará para sempre, enquanto viver, sem saber que é minha base, meu porto seguro, que é tudo pra mim, a minha própria vida.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Fernanda Gonçalves
A adolescente Fernanda Gonçalves, cantora nata e hoje com 13 anos, carrega traços indígenas e negros, o que torna sua voz grave, encorpada, suave e ligeiramente rouca. Como diriam os produtores, Fernanda “canta ao pé do ouvido”. Expressiva, linda, emotiva e dezenas de outros adjetivos fazem dela uma jovem com futuro promissor na carreira musical, caso algum produtor se interesse por seu gigante talento.
Seria mais fácil, porém, se Fernanda tivesse nascido em berço rico. O problema é que seria mais uma dessas cantoras populares, bestas e sem nenhum traço de graça. A humildade de onde veio essa jovem artista leva a um novo passo a música brasileira, tão defasada e também mumificada. Mesmo que como só intérprete, está na voz de talentos tão grandes como Fernanda mudar esse cenário. Vale a pena ouvi-la cantar. Faz bem, é aconchegante. Vale a pena conferir o vídeo de quando tinha 11 anos.
http://www.youtube.com/watch?v=l9B_YJVaCII
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Jacques Brel
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A criatura mais perfeita
Coisinhas bonitinhas
Quem disse, afinal, que conselhos são ruins? Que se fossem bons seriam vendidos, e não dados? Quando falo que não sou normal é verdade, pois gosto do que não se deve gostar. Gosto de receber conselhos, de passar roupa, de ler no ônibus.
O conselho dado foi de que eu maneire nos meus textos, pois estão azedos e muito críticos. Concordo! Claro que estão. É que ainda não vi um meio de falar bem da superlotação nos orfanatos, asilos, centros de zoonose. Não descobri como falar bem do que é mal... sacou?
Mas concordo que existem maravilhas a serem ditas, desde que não englobem a banda podre que todo mundo já conhece. O amorzinho disse que quem ler meus textos vai pensar “porra, caralho, mas essa mulher não gosta de nada??”. Aí me senti meio Raul Seixas, “ah, mas que sujeito chato sou eu”, só não posso concordar com “não acho nada engraçado”, já que quase tudo me faz rir.
Vejo beleza, por exemplo, no meu ipê. Também, quem não achar aquela árvore uma coisa de louco está ruim das idéias. Ele fica completamente seco e em meados de agosto começam a desabrochar as flores amarelas. Da noite para o dia explodem todas, e a rua ganha uma luz que dura uma semana. As pessoas param pra olhar, tiram fotos, pegam flores. Ele está ali, de graça e maravilhoso.
Acho deliciosas as bochechas de um nenê e o sorriso também, como eles arregalam os olhos quando mando um beijo estalado. Dá vontade de cheirar e morder um bebê que olha concentrado um pedaço de papel ou um pente.
ADORO A PROFISSÃO QUE ESCOLHI! Foi uma das poucas escolhas certas que fiz na vida e nunca pensei em desistir, mesmo quando o desânimo e o cansaço tentavam me esganar. O jornalismo me ofereceu horizontes, não me deixa alienar, ora pois, como ser alienada com tanta informação, com tantos professores bons? Levar informação, transformar o que está cru em algo entendível é maravilhoso. Uma satisfação que só os alienígenas como eu sabem o sabor, afinal, exceto as múmias televisivas e os cus de ferro com costas quentes, jornalista não fica rico trabalhando honestamente.
Gostei do conselho. Prometo me esforçar mais pra escrever coisas agradáveis aos olhos. Mas é preciso que elas aconteçam, né... e aconteçam de forma redonda, afinal, não adianta falar do encanto que são os ursos panda se eles são originários daquele país lazarento que é a China.
Meu filho de 16 anos
Tanto que eu rezo quando acordo...
Talvez eu leve a sério demais a sugestão do Mestre em não saber a mão direita o que faz a esquerda, por isso me sinta tão mal em ouvir o que dizem sobre si mesmos, principalmente quando começam a se gabar de merda nenhuma.
Por absurdo e incrível que pareça, tem gente que faz questão de contar o salário que ganha ou o posto que acabou de ocupar. Ah, então agora você cuida da parte de supervisão dos funcionários? Que ótimo, mas não perguntei nada... aliás, o que acontece na vida dessas pessoas medíocres não me importa em nada, nada mesmo.
Procuro ficar na minha, justamente pra não incomodar ninguém, mas do oposto vem a questão em ser chato, desagradável e inconveniente. Qualquer coisa que seja dita a eles já é gancho pra começar a falar de si mesmo. “Nossa, você está abatido, anda dormindo pouco?” Pronto. Pra quê caralhos fui abrir a boca? A resposta dessa pessoa veio assim: “É, ultimamente acordo muito cedo e saio muito tarde do trabalho. Mas não paro com esta vida não, ontem mesmo caíram quatro ‘paus’ na minha conta”. É difícil ter que engolir a língua pra não soltar um sonoro “enfia no c...”.
Dias atrás foi outra pessoa, sobre o novo emprego. Na área de estudo, horário bom, serviço bom, tudo bom. Graças a Deus, né. A idiota aqui vai parabenizar dizendo que é um grande passo, e o idiota lá responde que não foi um grande passo, foi um salto, afinal o Rebimboca da Parafuseta é o maior Hotel da América Latina.
Que legal.
Melhor ficar quieta e passar por imbecil do que falar para terem certeza disso...
Casa do Migrante
Lá existe a paz, a mesma que está no coração de quem quer a paz.
Lá é a Casa do Migrante.
Irmãos pombos
Talvez sejam como as protitutas: se cobram por algo teoricamente tão prazeroso, é porque há quem pague. Se há pombos em todos os cantos da cidade, quase a mesma quantidade que pessoas, é porque essa raça inteligente os alimenta, de uma forma ou de outra. Principalmente com lixo, restos, migalhas.
Fico triste quando vejo um pombo esmagado na rua, vítima de algum motorista que, na maioria das vezes, não imagina que aquele ser alado tenha exatamente os mesmos órgãos que ele. A diferença, e que grande diferença, é que ele vôa... ele estava ali na rua, bicando o chão, para sobreviver, assim como a raça inteligente faz ao levantar e ir pro trabalho, voltar pra casa, ir pro trabalho, voltar pra casa e seguir essa rotina alienante, quase tanto quanto andar bicando o chão a vida inteira. Tudo são migalhas.
Não condenem os pombos. Eles são vítimas da nossa porcaria.
O Apanhador no Campo de Centeio
A narrativa parece muito um diário e o personagem, alguém que nunca viu graça na mesmice e já está de saco cheio dela. Não tem como não gostar daquele menino. Está de saco cheio da hipocrisia, da falsa modéstia, da repetição das coisas e, principalmente, do fator gerador de tudo isso: as pessoas.
Holden, assim como eu, não consegue ver graça nas desgraças. Como hoje, por exemplo... malfadadamente peguei o mesmo ônibus que uma conhecida, que não se tocou que eu queria continuar lendo o tal livro. Ela foi o caminho todo falando, falando, falando... em determinada subida, vi (logo na segunda-feira, que é pra começar a semana sem nada de coração) um cachorrinho, filhote, morto atropelado, no meio da avenida. Provavelmente acabara de acontecer, pois o sangue inocente ainda escorria. Coloquei as duas mãos nos olhos e comecei a chorar, no que a infeliz me pergunta, rindo: "O que é que foi, Raquel?".
Aquele cramunhão sabe o quanto sou doente por animais e viu a mesma cena que eu. Qual a parte da história onde um filhote é morto atropelado que é engraçada? Desculpem, mas ainda não encontrei graça nisso. Como, pela graça do Divino Mestre, alguém pode rir de algo tão bruto? Tão triste aos olhos e ao coração?
A cretinice sem limites de algumas pessoas irrita ao tal Holden tanto quanto a mim. Os assuntos toscos, comentários infundados, "contação" de vantagens idiotas... amigos... só lendo mesmo... leiam esse livro, vale a pena. Mas não pensem que Holden é doido...
A censura não seria tão ruim...
Principalmente no Brasil, deveria ser proibida a venda de eletroportáteis sem antes realizar uma avaliação psicológica no cliente. "Qual a principal finalidade do senhor em comprar este celular? Fazer ligações? Acessar a internet? Assistir televisão? Jogar? OUVIR MÚSICA?
São Paulo está virando, aos poucos, terra de ninguém. É, na teoria, "proibido o uso de aparelhos sonoros" nos ônibus, mas há quem ache bonito ligar o celular e ficar ouvindo as músicas mais ridículas sem usar o fone de ouvido. E o pior são as caras desse povinho desgraçado.
Embora não seja nem um pouco fã de rap, preciso concordar com o Mano Brown que "zé povinho é o cão". Tipinhos escrotos, figuras porcas... que pensam que estão em Las Vegas (os que sabem que esse lugar existe) ou num desfile dos horrores e fazem as combinações mais boçais de estilos, maquiagens, acessórios. E acham que estão realmente abafando. Aí tiram o celular da bolsa, mochila e começa o inferno de alguns.
Não é mania de perseguição, juro por Deus, mas parece que fazem questão de ouvir, EM VOLUME ALTO, as músicas mais nojentas do mundo, a maioria de uns pagodinhos "ai, ai, ai, ai, ai, ê, ê, ê, ê". QUE NOOOOOJO. Ou, então, sertanejos, funk, black... que fosse Mozart ou minha idolatrada Legião Urbana: os gostos musicais variam, GRAÇAS A DEUS e foi inventado o fone de ouvido com essa finalidade, a de não incoodar os filhos da puta que estão ao lado.
Por isso, jecas que hão de deixar frutos que incomodarão as gerações futura (pois é um ciclo): coloquem o fonezinho na orelhinha quando forem ouvir as musiquinhas cafoninhas que vocês acham que são boas.
Natal, Ano Novo e aniversário.
O fato é que estou muito cansada, mas não só o físico. Acho que o psicológico cansado é muito mais complicado de tratar. Sei bem o que quero e sei que nada vai cair do céu pra mim, afinal, não nasci em família rica. O esgotamento faz parte da busca de um sonho... mas até mesmo saber disso já me cansa.
Minha intolerância tão evidente está cada dia mais acentuada e cada vez mais pratico o que chamo de "egoísmo saudável". Não tenho mais a boa vontade de antes e isso me faz bem... descobri que não vale a pena ajudar ou tentar ajudar alguém. Pessoas não valem a pena... venderia a roupa do corpo por minha mãe, meu pai, minhas irmãs, meu namorado e mais cinco parentes (que sabem exatamente quem são, ok, Tia Eva?) e só.
Neste planeta de mais de seis bilhões de pessoas, minha frustração com o ser humano me cegou (ou terá me aberto os olhos?) quanto à benevolência sagrada de Chico Xavier, Jesus Cristo, Francisco de Assis. Exceto as pessoas acima, não tem como, não dá mesmo. Não encorajo ninguém a pular do 20º andar, mas se estiver lá, também não peço pra descer pelas escadas.
Cansei.
Bonitonas e famosas
Claro que não me pareço com todas, seria muita sorte; mas a descendência paraibana já me rendeu alguns "você tem alguma coisa da fulana, beltrana". É realmente muito bom!
De todas, porém, a que mais me agrada ter alguma distante semelhança é a tal da Teri Hatcher, principalmente se eu pensar que ela é a personagem Lois Lane, e não uma sex simbol cobiçada. Lois é jornalista, trabalha num grande veículo e de quebra ainda é amada por um super-herói... está sempre caindo de algum prédio, berrando e sendo salva da morte certa por esse herói abobalhado. Carrega no olhar uma melancolia, quase uma tristeza, ninguém sabe porquê... é simples e não chama a atenção. Tem em si a discreta carência própria de quem precisa de pelo menos um abraço carinhoso por dia, de um beijo apaixonado.
A Lois é tudo de bom.
Meu homem...
Me dá tudo isso, logo, pra que a vida fique melhor...
Aniversário
Adoro a idéia de fazer aniversário junto com ele: o Rei, lindo, inovador, porra-louca. Janeiro é, definitivamente, um bom mês pra se nascer, ainda mais no dia 08, como nascemos ele e eu. UHÚ!
Fazer aniversário, porém, me deixa um pouco mais melancólica e à flor da pele do que o normal. São 26 anos. O que eu fiz até agora? Quase nada, dá até para listar:
- fiz questão de preservar as amizades verdadeiras e me recusei a permitir gente burra na minha vida, ocupando lugares importantes. Isso realmente me fez bem.
- engoli sentimentos e dores. Não me fez bem. Mas aprendi. Percebi que engolir sapos e situações pode ser assinar o atestado de tristeza por muito tempo... travar uma guerra dentro de si, por causa de outros, é a pior idiotice que alguém pode fazer e isso eu também descobri.
- entendi que o que é meu vai ficar comigo, irá comigo e será sempre meu, não importa o que aconteça. E que correr atrás de algo, sem fôlego, quase caindo de fraqueza e à beira do desespero não vai dar em nada se aquilo só era pra ser meu por pouco tempo, por um ano que fosse. O que é meu sabe que é meu e sabe também que sou dele.
- li muito, escrevi também. Chorei feito bezerro sem mãe por uma infinidade de coisas, desde as mais tontas às mais grotescas. Principalmente com músicas e suas traduções... com imagens, com mensagens.
- aprendi que nem sempre vale a pena amar. Que é mentira aquele altruísmo barato de "amar o próximo como a ti mesmo". As vezes, na verdade quase sempre, a melhor coisa é esquecer, fazer de conta que nunca conheceu nem aconteceu. Ignorar e seguir adiante. Aprendi que amar é perigoso e dolorido na maioria das vezes. Que é mais fácil amar e sofrer do que amar e ser amada. Essa é a parte mais difícil: encontrar alguém que sinta exatamente a mesma coisa.
- errei, muito, muitas vezes e de várias maneiras. Mas aprendi com TODOS os meus erros. E aprendi também que é burrice cometer o mesmo erro mais de duas vezes. A vida oferece uma porção de oportunidades diferentes pra se errar, é burrice insistir num erro só.
- magoei muita gente, amigos e família. Mas me orgulho em ter pedido perdão todas as vezes e de ter o mínimo de raciocínio pra não fazer de novo. Me magoaram muito. Mas, mesmo percebendo, raras foram as vezes em que ouvi "desculpe".
- ouvi milhares de trocadilhos, frases engraçadas, mas as favoritas são "a Raquel é má e a Ruthinha é boazinha" e "Rachel de Queiróz ou Raquel Wech?".
- me apaixonei várias vezes e aprendi que amar demais é doença, e grave. As paixões nunca foram iguais. Pelo que percebi, não serão nunca.
Nesse primeiros 26 anos, de tudo, não sei ainda o que foi que realmente valeu a pena. Demonstrar o amor, talvez. Deixa algumas pessoas consternadas... quero me consternar logo.
Jade Barbosa faz tratamento médico em troca de camisetas
O mesmo não aconteceu com Ronaldinho, claro que não. Com os dois joelhos lascados e fodidos, segue o craque num dos maiores clubes do país (em relação ao tamanho, pelo amor de Deus, o Corinthians não me apetece em nada).
Diferente do técnico de Jade Barbosa, Emerson Leão (também do futebol, vejam quanta coincidência) sempre é o desempregado mais feliz do mundo, e não só ele. Rescisões de contrato milionárias garantem a estabilidade de três ou quatro gerações posteriores quando se trata de futebol.
No Estadão de 13/01/2009 tive a "felicidade" de ler que "os dois melhores do mundo falam português". Onde o profissionalismo de Cristiano Ronaldo é melhor que o de Jade, Diego Hypolito, Dayane dos Santos? O que os diferencia? Porque a discrepância?
A ginasta atua pelo Flamengo e em entrevista disse que a lesão no punho está em tratamento graças à boa vontade das pessoas. "Na farmácia os funcionários pedem camiseta em troca de remédio, é assim que estou me tratando".
A Confederação Brasileira de Ginástica não tem MESMO dinheiro para pagar os atletas? É bem possível que não... Jade não em dinheiro para comprar remédios, isso não é justo. Também não é justo que Cristiano Ronaldo destrua uma Ferrari de mais de R$ 750.000,00 e possa comprar outra na semana seguinte, caso queira. Definitivamente, não é justo.
Jade, Daniele, Dayane, Diego... caso algum de vocês esteja lendo este blog (e me proporcionando essa honra), sou muito fã de vocês. Sou fã força de vontade sem tamanho, quase incondicional. Da maravilha que vocês fazem com seus corpos; sou fã dos movimentos, cada um deles. Fã desse brilho que existe nos olhos de vocês. Numa próxima encarnação tenho certeza que serei ginasta. Nesta, não deu.
Obrigada por serem parte da mirrada parcela de brasileiros que me dão orgulho em ter nascido aqui.


